sexta-feira, 10 de agosto de 2012

A raposa nossa de cada dia



Segundo o Wikipédia: 


“As raposas são caçadoras oportunistas e apanham suas presas vivas. A técnica de caça mais comum, aprimorada desde a juventude, é pular sobre a presa para matá-la rapidamente. A dieta da raposa é ampla e variada e inclui, além de pequenos mamíferos (como roedores e coelhos), répteis, anfíbios, insetos, aves, peixes, ovos e frutas silvestres. O excesso de alimento é armazenado pela raposa para consumo posterior, geralmente enterrado no solo, sob folhas ou sob a neve. Por caçarem apenas o suficiente para alimentar um animal, as raposas são predadoras solitárias e não se reúnem em grupos” 

Em muitas culturas espalhadas pelo planeta, acredita-se que cada ser humano possui seu animal referência, ou seja, para cada ser humano na terra existe um animal cujas características comportamentais se assemelham a sua. E tal assunto sempre me chamou a atenção. Será mesmo que eu pareço com algum animal? Será mesmo que existe algum animal que me representa no reino animal? Realmente não há nada que me prove que isso é verdade e nem que é mentira. No entanto, passando o olho nessa frase logo acima sobre o comportamento das raposas tive um estranho e breve sentimento de “peraí, acho que eu já vi isso em algum lugar”. E realmente, se darmos asas à imaginação vamos nos lembrar de várias frases e expressões populares como “fulaninho subiu na árvore que nem um macaco” ou “ciclano tem olhos de águia” Po, todo mundo já chamou alguém ou foi chamado de “gato” né? E por aí vai...

E as raposas? Elas me encantam. Causam-me fascinação, sério mesmo. São seres belos, fofinhos, pequeninos, até engraçados às vezes, mas que escondem uma força poderosa por trás de tanta formosura. Ao invés dos animais de grande porte, que são muitas vezes grosseiros e nada táticos em seu dia-dia, a raposa fica na espreita, observa, faz as análises necessárias para sua sobrevivência e só mostra as suas garras e seus caninos quando tem certeza que sua presa não oferecerá resistência duradoura. E realmente, um animal tão pequeno nesse vasto reino animal não sobreviveria ao lado de leões, rinocerontes, gorilas ou grandes grupos de bovinos. Então a raposa, aquele ser aparentemente tão inofensivo e fofinho, opta por ficar nos buracos, em cima de árvores, se alimentando de pequenos seres, esperando o momento certo de atacar. É um exemplo tático perfeito. Ela, enquanto pertencente do reino animal como qualquer outro ser vivo, usa justamente a sua aparente fraqueza como maior arma. E assim consegue sobreviver. Sempre por trás, sempre nos bastidores, em off, assim elas conquistam seus territórios. E o reino animal é assim mesmo: cada um tentando concretizar seu destino da maneira que julga melhor. 

Nós, seres humanos, também encontramos de tudo em nosso cotidiano: águias, leões, tigres, piranhas, chimpanzés, lobos, jacarés e raposas também. Só que diferente do reino animal, o “Reino dos homens” é muito, muito mais perigoso e amedrontador. Devido a nossa intelectualidade e comportamento bastante diversos, não é difícil presenciarmos alianças improváveis, por exemplo, entre raposas e águias por exemplo. No reino dos homens, é totalmente possível uma aliança temporária entre uma raposa-humana e uma águia-humana. Ou, uma raposa-humana com um abutre-humano, talvez um burro-humano com um camaleão-humano ou ainda uma égua-humana com uma raposa-humana... Alianças, jogos diversos, falsas cooperações, co-parasitismo, política! E a partir desses tipos de alianças, as possibilidades de sobrevivência aumentam vertiginosamente. O grande problema, e aqui reside a ironia de tal reino, é que as possibilidades de Fracasso também aumentam CONSIDERAVELMENTE. Sendo assim, muitos homens-animais sucumbem em suas trajetórias por acreditarem tão ingenuamente em tais alianças. Não conseguem perceber a política-animal em que se meteram e se afundam cada vez mais em jogos e falsos jogos. E apresentando tal incapacidade para analisar o real, acreditam cada vez MENOS na existência da política-animal, na política das alianças temporárias... Porque um dos maiores efeitos colaterais de tal política é justamente fazer acreditar que ela não existe! E perder a fé em tal política é o mesmo de dizer: “ei caçador, hoje é o seu dia!” E assim, finalmente, o homem-animal acaba negando completamente seu lado animal e se torna, segundo minha guia espiritual chamada Estamira, o famoso “esperto a contrário” ! 

É um jogo perigosíssimo onde o menor dos descuidos pode levá-lo ou levá-la, não à simples morte como no reino animal, mas à INFELICIDADE. Coisa que para muitos é pior do que perder a própria vida. O problema é que muitos homens-animais não conseguem perceber essa diferença entre os reinos. Acreditam, ou pelo menos querem acreditar, que só precisam sobreviver e tudo estará bem. Infelizmente é assim e não há nada o que possa se fazer a esse respeito, a não ser esperar... 

Essa é uma parte real do reino dos homens e se você, animalzinho que está lendo isso aqui, está disposto a sobre-viver nele, saiba das coisas que talvez você encontre em sua caminhada. E é preciso ter muito mais FORÇA para lidar com tudo isso e ainda ser feliz. 

Diante de tudo isso é preciso uma última afirmação: as formigas, os ratos, as baratas e abelhas apostam no COLETIVO, os leões e leoas caçam em bandos, certas espécies de pássaros são monogâmicos e muitos animais preferem sobreviver na solidão. Tudo no seu devido lugar e que assim seja! 



Anidalmon Morais Siqueira Filho - http://molotovaluzdevelas.blogspot.com.br








4 comentários:

  1. http://www.youtube.com/watch?v=YC4WXown03c

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  2. ótimo texto, Dalmon!! a cada lida, muitos pensamentos.. gostaria de re-citar uma frases que me fez lembrar da escola onde faço um trabalho: "O problema é que muitos homens-animais não conseguem perceber essa diferença entre os reinos." A tentativa de padronização de certos reinos, acabam por fortalecer a repressão no e a discóridia por esses reinos. que reinos são esses?... nossos reinos! nenhum reino vive dentro de uma bolha com divisões claras... viajei com o texto! parabéns!

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