Ação, action, δράση, acción, handling, actie, akció, åtgärder
Gosto de pensar à maneira de
um tiozão filósofo esloveno chamado Slavoj Kizek: violência não como o ato em
si, mas como conjunto de processos subversivos que causam rupturas, promovem
brechas. Ora de maneira forçada, ora de maneira maliciosa. Violência como tudo aquilo que
escancara o não-dito, que desmascara as ações desprovidas de afeto. Violência
como espíritos malignos que insistem em desestruturar toda e qualquer forma
engessada de organização. Eis aí atos violentos! A violência em sua
visceralidade! Violência como qualquer ação que viole o status quo. E nesse
sentido, quanta falta de violência! E que falta vc faz!
O pacifismo na Índia foi
violento? Muito. E bota muito nisso tá. Toda uma lógica mercadológica
colonizadora sendo boicotada cabalmente. A recusa em fazer qualquer exigência
que venha dos oficiais ingleses. Até que eles se cansem e percebam o quão estúpidos estão sendo. E véi,
tem que ter muita muita coragem e disposição para fazer um bagulho desses.
Na Índia, a não-violência
foi, antes de tudo, resultado de muita mobilização e ação. Mais do que
enunciação de palavras sobre a paz, eles estavam agindo em prol dela. Com o
objetivo claro de emancipação, levaram a cabo o que acreditavam. Com muito suor
e sangue realizaram uma resistência bastante eficaz. Postura bastante firme e
afirmadora. E assim se tornariam no principal símbolo de Pacifismo Mundial. No
entanto, parece que esse histórico de LUTA e ENFRENTAMENTO se transformou e vem
se transformando em sinônimo de inércia
total. Conformismo barato, ingênuo. Reduto, inclusive, dos reformistas de
plantão, vai vendo...
Tudo o que existe de mais
afirmativo e potente no processo de independência Indiano parece ter sido
apagado em prol de um ideal abstrato de não-violência. Como se os companheiros
Indianos tivessem recebido a independência dos céus. Acordaram um belo dia,
receberam uma iluminação qualquer a respeito da não-violência e, assim,
receberam diretamente das mãos do criador a independência (!!!). Parece uma
história bobinha, mas muita gente age em
nome do pacifismo seguindo esse raciocínio. É foda, mas é o que eu mais
vejo rolando. Ou seja, existem os que lutam, os neuróticos, os “violentos”, e
existem os mais evoluídos: seres que aprenderam que violência só gera violência
e que, por isso, optam em não fazer absolutamente nada. Seres tão iluminados, tão
superiores, que se escondem atrás de seus egos, morrendo de medo do mundo lá
fora. E justificam sua postura absolutamente inerte reivindicando um certo
ideal de não-violência, quando na verdade só querem um argumento para não fazer
porra nenhuma nessa vida. E desse modo, o ideal de não-violência acaba resumido a
reclamações esporádicas sem fruto algum. Como se o ato de não reproduzir o violência, por si
só, gerasse uma outra coisa que não a violência propriamente dita.. Contra a
violência. Contra atos violentos. Contra propostas violentas. Mas afinal de
contas, a favor do que? E, além disso, propondo o que? Gandhi, ícone máximo do pacifismo, pregou e
praticou a não-violência desse jeito?
Forçaram a barra e fizeram
com que a expressão “não-violência” se igualasse em número, gênero e grau com a
palavra “inútil”. É preciso separar o joio do trigo. Ghandi e todo o ideal de PAZ que esse homem
pregou, não foram, tão somente, resultado de belas palavras jogadas ao vento.
Muito menos, resultado de um “não-fazer-nada” em relação à opressão Inglesa.
Quem acredita nisso, é bobinho e merece dar continuidade à sua saga pacifista
de gabinete. Paciência...
Mas tenho certeza, que além
desses, existem os que acreditam que a paz
não é uma idéia abstrata e que é algo que precisa ser CONSQUISTADO
diariamente. E que se existe algo que emperra isso, que nos levantemos contra!
Assim como os Indianos fizeram, assim como Ghandi, tão sabiamente, o fez.









