Todos os tipos de aventureiros. Todos os tipos de piratas. Todos os tipos de prostitutas. Todos os tipos de pobres cidadãos de bem (!). E claro, todos os tipos de gladiadores: cada um de seu jeito, cada um com o poder que os deuses lhes conferiram, todos tentaram “jogar o jogo” dos romanos. Pagaram seus impostos a duras penas, assistiram o máximo de jogos de gladiadores que puderam, participaram da política romana avidamente e jogaram flores a nobreza sempre que ordenados. Mesmo com a insatisfação geral que só aumentava, não foram poucos os que, assim mesmo, defenderam Roma e sua política (macro, micro, intra ou inter: todo tipo de política!). E “defesa”,literalmente falando, sacaram? Foram às festas dos romanos, cumpriram os rituais e tradições romanos, votaram em seus representantes, aceitaram sem a menor culpa as religiões romanas: quiseram ser como os nobres romanos! E uns até conseguem mesmo: vão se enfiando, vão rastejando, pedindo esmolas, até que em algum dia, um senhor romano de alta patente olha o pobre diabo pelo canto dos olhos e diz: “vou te ajudar”. E esse será mais um dos vários “dominus” que o pobre diabo terá ao longo de sua caminhada rumo aos palácios da república Romana. Lá, onde muitos desejam chegar, mas que pouquíssimos entre pouquíssimos chegam de fato. Tudo isso, caso ele consiga “chegar lá” mesmo, só para ver a mesma coisa que o lendário Spartacus viu nos momentos finais de sua luta contra Varro* (seu melhor amigo)...
Não faltaram os mais espertinhos que optaram em ir “por dentro” do império, subordinando, recebendo chantagens, se elegendo em falsas campanhas, fazendo alguns trabalhinhos sujos, acreditando, pobres coitados, que a nobreza romana era ingênua o suficiente para não perceber seus movimentos. Desejavam, mais do que ninguém, se banhar com os mais belos vinhos de Roma! Tinham um enorme prazer só de pensar no dia em que poderiam finalmente bater no peito e dizer “agora sim eu faço parte disso”. Até que numa bela manhã ensolarada e com céu azul, no primeiro deslize ou no primeiro aumentar de voz, Roma inteira, num só corpo, como um grande general impiedoso, vira para trás e olha-o com o canto dos olhos novamente. Dessa vez, não para abrir um sorriso acolhedor e oferecer sua mão caridosa, mas para projetar a lamina afiada de sua espada em direção a região logo abaixo de seu queixo! E como um passe de mágica, a palavra “justiça” aparece na cena. Algumas pessoas passam, dão uma olhadinha pelo cantinho do olho e tudo começa outra vez... Porque em Roma é assim mesmo: o que não está atrapalhando faz parte da solução. Tudo pode! Até o dia em que você esbarra no castelo de areia de alguém... E na boa! São muitos.
Spartacus, por um longo tempo, se vangloriou com o prestígio que os romanos lhe prestavam. Um escravo, um simples subordinado do mais baixo escalão, se tornara agora o “novo campeão de Cápua”. De escravo a Deus em tão pouco tempo: Spartacus agora reinava como o Sol entre as nuvens. No entanto, existia algo de diferente em seu metabolismo. Algo que poucas pessoas em todo império sentiam: ele não queria ser como um romano, não tinha menor intenção quanto a isso! Através das lutas entre gladiadores, ele sonhava em pagar todas as suas dívidas, encontrar sua linda esposa e simplesmente ser feliz. Roma, o ideal vendido para todos os tolos e ingênuos em geral, simplesmente não era algo almejado por Spartacus. Todo o jogo a que ele decidiu se submeter (assassinatos em geral, adultérios, etc) tinha um objetivo simples: recuperar a mulher amada. Não estava em seus planos defender Roma ou se curvar diante da fétida nobreza em plena decadência. Só que uma vez no jogo, queridos leitores, é quase impossível sair. E assim, Spartacus, a lenda de Cápua, também acaba conhecendo o preço de seu idealismo e ingenuidade: esposa assassinada a mando de seu amado “patrão”, submissão eterna, dívida eterna, dívida externa (!), escravidão eterna... “tudo isso e muito mais esperam os tolos nessas terras”. Nem uma verdadeira lenda, nem um autentico Deus, como ele era visto pelos romanos, tinha poder o suficiente para reverter a quadro clínico geral.
Heróis, deuses, milagres, ascensão! Tudo isso existiu em Roma!
Heróis de brinquedos, simples fantoches descartáveis feitos (sob medida) para entreter os romanos e a plebe em geral. Deuses para sedar os descontentamentos do povo (doping). Milagres para dar “esperança” e desviar os olhares do povo. E ascensão para provar ao povão que é possível chegar lá, que é só ter “força de vontade e acreditar em si mesmo”
Spartacus, o pobre diabo, pode vislumbrar a verdadeira face do monstro. Provou de sua espada, mas sobreviveu! Se deu conta a tempo, por obra do destino, do que o “deuses” lhe reservavam. E rejeitou: “que se dane os seus deuses e o que eles dizem sobre mim”
To be continued...
* - Cena de um dos últimos episódios da 1° temporada. Vale muito a pena ver!

Tá maneiro pacas, analogia foda, esperando próximos capítulos
ResponderExcluirFi, tem papel higiênico nos banheiros da UFES! Roma triunfa!
ResponderExcluircade a parte III
ResponderExcluir