quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Pacifismo e Ingenuidade parte I



Nos dias de hoje, fala-se muito no ideal da não-violência. Termo bonito, quase um indicativo inquestionável que a pessoa é “do bem”. Você sai de lugares, entra em outros lugares, cansa desse lugar, vai para outro e eles estão sempre por ali: discursando de maneira muito bela sobre os benefícios de um mundo sem guerra, sem opressão, sem injustiças, com pessoas mais compreensíveis, mais tolerantes, pessoas que finalmente vão saber ouvir as outras, etc. Tudo muito bonito e motivacional. Sério mesmo pow, quem não desejaria uma vibe assim? Curtir com os amigos sem se preocupar com nada, vivendo num mundo irado e com pessoas iradas, viver as mais belas histórias de amor, ter o direito institucional de poder viajar pelo mundo quantas vezes quiser, etc.

Só que, no cotidiano, observo muitas dessas mesmas pessoas frustradas pelos cantos. Cabisbaixas (baixa auto-estima?) porque não estão obtendo, da realidade, o resultado que esperam. Provavelmente frustradas por pregarem uma paz estéril que simplesmente não surte efeito. E por não conseguirem encontrar pontos de inserção nos espaços em que habitam (para destilar seu discurso supostamente pacificador), assumem uma postura obscura de “vejam! com tanta intolerância assim, não há o que fazer”. Seu pensamento é algo mais ou menos assim: “só é preciso, a partir de agora, se preocupar com a necessidade de discursarmos e pregarmos para as pessoas a não-violência” Como se ser contra a violência fosse o elo perdido de todo processo embrionário de revolução. Será mesmo? E assim, na fala de cada um, de cada grupo, cada movimento, torna-se imprescindível detectar o maior número de brechas possíveis onde a bandeira da tolerância possa ser levantada. Para que cada uma dessas pessoas, grupos, movimentos, sejam conscientizados sobre os benefícios do pacifismo. Ei! é preciso esclarecer: o ato de não reproduzir o violência, por si só, não garante ou afirma coisa alguma. Pelo contrário, pode ser a célula-tronco do conformismo. Ponto. E reduzir o pacifismo à simples não-violência como um fim em si mesmo: ingenuidade.

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