Vivemos em tempos difíceis.
Existe uma crise que é, antes de tudo, econômica. Porque? Porque fala de
escolha. Uma escolha existencial eu diria. Vejamos...
Nós somos os próximos, não tem
jeito. Mais do que forjar rupturas através da subversão, com todas as
consequências explosivas que essa ruptura vai gerar (e que já está gerando),
talvez seja preciso estar ciente, também, da responsabilidade absolutamente
emergente que se coloca: a tocha será passada para nós. Simples assim. Os mais antigos, que reivindicam aos quatro
ventos sua imensa “sabedoria”, começam a deixar esse nosso tão querido mundo
cruel e não vão sem deixar um legado faraônico para trás, para nós:
neoliberalismo, líderes sociopatas, redes sociais, globalização, intolerância religiosa,
alimentação a base de veneno, aculturação, imperialismo, cinismo político,
cegueira existencial, doenças fabricadas, entre outros. Não vamos começar do
zero, claro. O barco ainda é o mesmo e devemos respeitar os antigos marinheiros
que tanto ralaram para manter essa embarcação funcionando. O problema é que na
cabine central quase todos já partiram, incluindo o piloto. Dos poucos que
sobraram, a maioria já se mistura desesperadamente entre os tripulantes para
tentar uma última chance de salvação. Ainda resta, também, aqueles que tanto
contribuíram para o bom funcionamento do barco, mas que hoje só conseguem
devanear a respeito da realidade concreta. Tadinhos! Tem tanto medo de serem
passados para trás que defendem, de maneira tosca e com unhas e dentes, o pouco
de energia que lhes sobra nas entranhas. E ao invés de gastarem seus últimos
suspiros para morrerem com dignidade em algum canto isolado e bucólico (como
muitos mamíferos o fazem), preferem converter suas últimas reservas de energia
em pura retórica reacionária infantil. E no meio de tudo isso, atravessando
tudo, boas doses de comodismo, medo e angústia. E muitos, muitos coadjuvantes e
figurantes.
É o caos, meus amigos. Saindo do
forno e prontinho para ser degustado. É a maré alta, o mar de ressaca. É o
dilúvio existencial, político. É a desafinação de todos os instrumentos. É o
infinito em frações de milésimos de segundo. Medo? E porque um paranoico teria
medo de um cenário como esse? É o cenário perfeito! Não há o que temer. Os
cidadãos de bem ainda não entenderam que as normas que os definem, que os
normatizam, vem das mesmas pessoas que os oprimem, que os dopam. Insistem em
justificar, de maneira sã e racional, as rédeas que lhes foram implantadas. Vão
precisar de mais tempo para sacar que a felicidade e a paz que lhes ensinaram a
buscar, nada mais são do que as correntes que os aprisionam.
Vocês, paranoicos, por outro
lado, cantam em uníssono: existe algo de algo de errado nisso tudo! E estão certos.
Se o caos é parâmetro, quem são os loucos? Quem são os infantis e ingênuos da
história? Os que desconfiam da realidade como ela é nos dada? Os que preferem
romper ou os que insistem no mais do mesmo? Sim, a conspiração é mundial mesmo!
Mas não precisam se afobar, esse é o caminho. Só precisam segui-lo. Porque existem
os que simplesmente vão negar esse cenário (cidadãos de bem em geral,
detentores do poder, líderes populistas, etc) e os que vão compor a resistência
DENTRO DESSE CENÁRIO.
O momento é de conspiração
extrema, meus caros amigos. É a necessidade da desconfiança, a necessidade da
dúvida. E vocês são vanguarda nesse assunto. Não precisam se esconder mais, o
mundo lá fora precisa de vocês mais do que nunca. Entrem nos bares, nas
faculdades, nas filas do banco, nos casamentos, nas religiões, nas micaretas,
etc. Como uma nuvem de gafanhotos, devastem, simplesmente devastem tudo o que
verem pela frente. Vocês sabem, do seu jeito, se defender dos inimigos que
tentam entrar em suas mentes. Agora será que eles sabem se defender disso? Creio
que não. Então faça! Não precisam se preocupar, vocês estarão disfarçados de
cidadãos de bem.
É chegada a oportunidade de pôr
as cartas na mesa. Mas não só isso: escolher outra mesa, outras cartas, outros
jogadores e outras regras. Ou deixar tudo como está...

http://artificiosocialista.blogspot.com.br/2013/02/resposta-uma-carta-pertinente-uma.html
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